Quantcast

Podemos estudar o mercado, escrever planos de negócio e ler dezenas de livros sobre empreendedorismo. Mas só quando agimos, erramos e tentamos de novo é que realmente aprendemos a empreender. A teoria dá-nos mapas, só a prática nos ensina o caminho.

Publicidade

Há uma ideia que se repete em livros, cursos e painéis de conferências, para empreender, é preciso primeiro estudar o mercado, criar um plano de negócios impecável e dominar a teoria antes de dar o primeiro passo. É um conselho repetido à exaustão, mas, na realidade, as coisas passam-se de forma bem diferente. Não estou a dizer que não se devam fazer os estudos de mercado e o plano de negócios, mas não devemos dar-lhes tanta importância nem perder demasiado tempo nessas tarefas. A verdade, por experiência própria, é que o empreendedorismo não se aprende a estudá-lo. Aprende-se a fazê-lo, a errar, a corrigir e a tentar outra vez. Quem espera pela certeza teórica antes de agir, normalmente, nunca chega a agir.

Um exemplo que costumo usar é o de aprender a andar de bicicleta. A teoria pode explicar-nos o equilíbrio, a física das rodas e a técnica de pedalar, mas ninguém aprendeu a andar de bicicleta a ler sobre isso. Aprende-se a cair, a levantar e a tentar outra vez, até o corpo perceber sozinho. Com o empreendedorismo, é exatamente igual.
Em Portugal e na Europa, ficamos muito presos à teoria do empreendedorismo e à burocracia, estamos muito limitados para lançar um determinado negócio. Noutros países, como por exemplo os Estados Unidos, Japão e o Canadá, as coisas fluem muito mais rápido, existe um ecossistema que trabalha para criar novas inovações, e o principal ativo desse ecossistema é a rapidez em colocar as ideias em prática.

Isto não significa que devamos copiar cegamente outros modelos, mas sim mudar a forma como encaramos o risco. Uma ideia só se torna um negócio quando sai do papel e cada mês gasto a aperfeiçoar uma teoria é um mês que um concorrente, algures, está a usar para testar, corrigir e avançar. No mundo real, quem espera pela versão perfeita chega sempre atrasado. Quem lança, erra e ajusta rapidamente, está sempre um passo à frente.

Na prática, isto traduz-se em pequenas decisões diárias, lançar um produto mínimo em vez de esperar pela versão ideal, falar com clientes reais em vez de confiar apenas em estudos de mercado, e corrigir o rumo com base em resultados concretos em vez de previsões teóricas. Não é sobre agir sem qualquer preparação, é sobre não deixar que a preparação se transforme numa desculpa para não avançar.

Empreender não é um exercício académico, é um exercício de resistência e adaptação. A teoria ajuda-nos a compreender o caminho, mas só a ação nos mostra se ele funciona. Se há algo que aprendi nestes anos, é que o maior risco não está em avançar sem todas as respostas. Está em ficar parado à espera delas, respostas que, muitas vezes, nunca chegam, ou chegam erradas, por falta de prática.