A entrevista TOP do Startup Blog é com a empreendedor José Bourbon, fundador da PartilhadaMente, uma Startup de empreendedorismo social que é uma plataforma online, co-partilhada por terapeutas e cidadão comum, criada com objetivo de ajudar a melhorar a saúde psicológica das pessoas e a produtividade das organizações.

Publicidade

Quem é José Bourbon?

Ui, pergunta difícil. O José Bourbon acho que é alguém que adora pessoas, adora criar, e adora que estas duas realidades sejam uma constante na sua vida. Criar com liberdade para pensar e fazer diferente, em conjunto com outras pessoas, talvez seja aquilo que mais me motiva.

Acho que uma das coisas que me apercebi nos últimos anos é que quando estou em ambientes castradores da liberdade para pensar, inovar e melhorar constantemente, acabo por me tornar numa versão muito limitada de mim mesmo e não sou feliz.

Depois acho que sou alguém que, quando a sua saúde mental lhe permite, é espontâneo, genuíno, um pouco utópico até, que não tem medo de arriscar e que gosta de ajudar e de se sentir útil. Alguém que é sem dúvida apaixonado pela comunicação, pela leitura, pela conversa e pelo debate. E que dá valor às pequenas coisas da vida: como uma boa conversa com um copo de vinho tinto ou um jogo de futebol com amigos.

Como surgiu a ideia de criar a PartilhadaMente?

A ideia de criar o PartilhadaMente nasce de vários factores. Há sem dúvida um lado pessoal, que está relacionado com os desafios que, principalmente ao longo dos últimos anos, eu tenho sentido para em determinados momentos conseguir ter a minha saúde mental “no ponto” (se é que isto existe).

Depois há ainda uma enorme paixão que tenho vindo a desenvolver sobre o lado psicológico do ser humano e mesmo sobre a forma como o nosso cérebro funciona, que faz com que este projeto não seja apenas uma consequência daquilo que me aconteceu na vida mas dos meus interesses.

E depois um lado de contexto e oportunidade. Basicamente em abril do ano passado saí do trabalho onde estava e, em Junho, comecei a fazer um curso no Cenjor chamado Jornalismo Empreendedor. Neste curso, que recomendo vivamente a quem esteja a dar os primeiros passos, tínhamos de desenvolver uma ideia de negócio e foi aí então que começou a nascer o PartilhadaMente.

Quais foram os desafios iniciais?

Bem, acho que os desafios iniciais são mesmo relacionados com motivação e crença. Quando começas a desenvolver uma ideia podes não só sentires-te muito sozinho no processo, como um pouco perdido, mas também por vezes podes sentir-te um pouco “tonto”, visto que quando estás no ponto A de um projeto parece que o caminho é demasiado longo para vires a conseguir concretizar a tua ideia em algo palpável.

Mas penso que tanto o curso do Cenjor, como o facto de depois ter-me juntado ao Well and Work, um espaço de Co-Work ao pé de minha casa, ajudou-me a não me sentir tão sozinho neste processo. E depois claro, à medida que ia avançando e ia tendo pessoas interessadas em juntar-se, isso deu-me uma enorme motivação, porque foram pessoa que dedicaram o seu tempo preciosos para me ajudarem a desenvolver algo que ainda não existia, que era apenas uma ideia. É preciso dizer que sem elas, o PartilhadaMente não existia.

Como foi a experiência de participar no CIS EMPREENDE?

Foi muito boa e foi sem dúvida essencial para validar a minha ideia e fazer-me acreditar no potencial do meu projeto numa fase em que, confesso, estava um pouco a duvidar se ia conseguir levar o mesmo a bom porto.

Para além disso, permitiu-me efetivamente melhorar a minha proposta de valor, não só através das sessões que realizámos entre as meias-finais e a final, como através do feedback que recebemos dos jurados.

E, obviamente, se não tivesse participado no CIS Empreende não estaria agora incubado – ainda que virtualmente – no Centro de Inovação Social da Fundação Eugénio de Almeida a receber mentoria e consultoria, algo que tem sido preponderante para o desenvolvimento do projeto.

Quais são os fatores diferenciadores da PartilhadaMente?

Acho que somos uma plataforma com um objetivo um pouco diferente da maioria das que existem em Portugal. Penso que a maioria ainda se foca muito nas consequências da doença mental e em ajudar a identificar os sinais e sintomas das várias doenças mentais, algo para o qual o público em geral, em virtude da pandemia começa a ter mais consciência.

Nós achámos que era necessário uma plataforma com um foco diferente, que não se dirigisse apenas a quem sofre de doença mental, mas a qualquer pessoa, porque todos nós somos “potenciais doentes mentais” e a nossa saúde mental sofre oscilações ao longo da vida.

Neste sentido, a nossa plataforma, acaba por oferecer uma gama de serviços (desde workshops, consultas, artigos) que têm como objetivo não só combater a doença mental, mas educar para determinadas áreas da vida – como sexualidade, relacionamentos online, autoconhecimento, saúde mental no trabalho, competências emocionais, entre muitas outras – que acreditamos que quando ignoradas ou negligenciadas, acabam por fazer com que muitos de nós desenvolvam ansiedades ou depressões, por exemplo.

Também convidamos o nosso leitor a ser um prosumer. Um prosumer é alguém que não é um mero consumidor passivo de conteúdo, mas que pode ter um papel ativo. Por exemplo, no blog do PartilhadaMente, o SinceraMente, convidamos todas as pessoas a demosntrarem a sua vulnerabilidade e ajudarem-nos a mudar mentalidades, partilhando as suas experiências na área da saúde mental.

Este é um aspeto que nos parece essencial: não iremos deixar de ser o 2º pior país da Europa em termos de saúde mental enquanto as pessoas não falarem disto com naturalidade.

Acho que é um processo em que todos temos de estar envolvidos, pois todos nós somos influenciados por esse estigma e um certo secretismo que ainda existe em determinados meios quando se fala de saúde mental. Todos nós temos de fazer esse caminho e no PartilhadaMente temos total consciência que este caminho tem de ser partilhado, que não vamos conseguir nada sozinhos.

Quais são os próximos passos da vossa Startup?

De uma forma geral, os próximos passos passam por crescer de uma forma sustentada e sempre assente em qualidade e credibilidade. Acho que o maior erro que muitas startups cometem (pelo menos do que tenho lido) é crescerem demasiado rápido e depois não terem os recursos para acompanharem esse crescimento. Nós queremos dar passos seguros para evitar tropeçar a meio do caminho.

De forma mais concreta, estamos a planear o lançamento de um Podcast – daremos novidades no próximo mês – e ainda a desenvolver uma estratégia para chegar ao mercado empresarial português. Essas são sem dúvida as nossas prioridades para além de realizarmos mais workshops e de tornarmos a nossa rede de serviços e de terapeutas cada vez mais diversificada.