A entrevista TOP do Startup Blog é com o grande empreendedor António Lucena de Faria, CEO na Fábrica de Startups e professor de empreendedorismo na Católica Lisbon School of Business and Economics, que nos fala sobre a sua história de empreendedor e do programa Tourism Explorers.

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Quem é António Lucena de Faria?
A minha dedicação ao empreendedorismo já vem de há muito tempo. Na verdade, eu tinha 15 anos quando fiz o meu primeiro negócio. Na altura descobri que conseguia ir a um vidraceiro e encomendar um conjunto de vidros, colá-los todos e colocar lá areia. Depois juntava água, colocava uns peixes e plantas e vendia o aquário já todo montado. Comecei por vender à minha família e creio que a minha avó foi a minha primeira cliente.

Senti, naquela altura, que era capaz de pegar num conjunto de coisas, juntá-las, criar valor e vendê-las. Senti que tinha capacidade de criar valor e gerar uma receita para mim. Esta experiência tem-me alimentado, ao longo destes anos todos, e é a principal razão pelo que faço aquilo que faço: criar empresas e ajudar pessoas a desenvolver os seus projetos empreendedores.

A missão da Fábrica de Startups é também a minha missão: ajudar as pessoas a tornar-se empreendedores de sucesso. Para além de empreendedor e CEO na Fábrica de Startups, sou professor de empreendedorismo na Católica Lisbon School of Business and Economics, uma da atividade que me dá muito gosto fazer.

Como surgiu a ideia de criar o programa Tourism Explorers? 
Em 2017 lançámos o desafio ao Turismo de Portugal de realizar um programa de ideação, para além dos programas de aceleração que já fazíamos. O objetivo seria criar um programa de âmbito nacional, que contribuísse para a descentralização da oferta turística e para a capacitação dos ecossistemas regionais, fora dos grandes centros urbanos. Um programa que começasse na criação das ideias, no brainstornimg organizado, e passasse para a aceleração e validação de mercado, terminando numa apresentação a investidores. Assim surgiu o conceito do Tourism Explorers, em 2017, ano em que decorreu a primeira edição.

Decidimos arriscar a criação de um programa em 12 cidades, através de live-streaming. Já o tínhamos feito, em 2015, num outro projeto chamado Consultores Digitais e foi essa experiência que deu origem ao conceito do Tourism Explorers, atualmente o maior programa de ideação e aceleração de startups na área do turismo, a acontecer em simultâneo em 12 cidades, espalhadas pelo território nacional, incluindo ilhas.

O objetivo do Tourism Explores é, numa primeira fase, convidar as pessoas a contribuir com as suas ideias para inovar o setor do turismo nas suas cidades, para, depois, na fase seguinte, participaram na aceleração onde vão validar o seu negócio no mercado.

De forma a garantir o sucesso do programa nas 12 cidades, temos parcerias com Escolas de turismo, Universidades, Incubadoras e Aceleradoras com o objetivo de, em conjunto, contribuir para a geração de novos negócios de sucesso. O objetivo do Tourism Explorers é semear o maior conjunto de sementes possíveis de forma a conseguirmos colher mais e melhores frutos.

Qual foi o impacto das edições anteriores?
O Tourism Explorers já teve três edições, onde contou com mais de 730 participantes espalhados pelas 17 cidades pelas quais o programa já passou. Durantes as últimas três edições tivemos connosco 289 startups de turismo, focadas na experiência do turista, turismo de natureza, turismo rural, turismo acessível, marketplaces, hotelaria, entre outras. O nível de satisfação das equipas é sempre bastante positivo, atingindo os 8/10 na última edição.

Realizámos, no início deste ano, um estudo de impacto, com o intuito de medir o impacto do programa no desenvolvimento das startups que passaram nas três primeiras edições. Das 242 startups contactadas conseguimos perceber que 60% continuam ativas, 23% receberam investimento e 13% já internacionalizaram o seu negócio. Este é o melhor feedback que podemos receber, saber que as startups que passam pelos nossos programas conseguem prosperar e atingir o seu sucesso.

Temos vários casos de sucesso, onde destaco a Live Electric Tours porque, para além do investimento que recebeu de 700K, foi também eleita a Melhor Startup de Turismo da Europa em 2018, pela Startup Europe Awards, uma inciativa da Comissão Europeia, ao abrigo de uma parceria com a Fábrica de Startups.

Quais são as novidades da 4ª edição deste programa?
As grandes novidades deste ano centram-se sobre os novos desafios para o sector do Turismo decorrentes da pandemia e os seus efeitos na indústria. É necessário revigorar o setor e para isso é necessário numa primeira fase perceber que o comportamento do turista mudou. Algumas estatísticas dão conta que as pesquisas de reserva de um alojamento, por exemplo, mudaram, as pessoas procuram espaços maiores, com mais autonomia, com espaços ao ar livre. Isto cria uma grande oportunidade, aliada à tendência da dispersão geográfica.

O Tourism Explorers na sua génese é sempre orientado por um conjunto de desafios definidos pelo Turismo de Portugal e pela Fábrica de Startups que vão ao encontro das estratégias e necessidades do setor do turismo. Este ano iremos trabalhar os seguintes desafios: economia ambiental e sustentabilidade, valorização do património local, gestão de dados, soluções digitais para PMEs, melhorar a experiência do turista, a sazonalidade e dispersão territorial.

Este ano estamos também preparados para ajudar as startups que já estavam no mercado e tiveram de repensar os seus negócios. Algumas conseguiram fazê-lo com sucesso, mas precisam de ajuda para crescer e outras tiveram maior dificuldade e precisam de ajuda para voltar a validar o mercado. Há necessidade de revisitar os modelos de negócios das startups, agora que as necessidades e os problemas dos clientes são outros. Será também esse este o foco de um ciclo de Webinars que vamos fazer ao abrigo desta edição do Tourism Explorers.

Quais são as vantagens de um empreendedor participar no Tourism Explorers?
O valor do programa para os participantes está centrado em 3 grandes vertentes: a metodologia, a mentoria e o networking, para além do incentivo final de 10.000€ atribuído ao melhor projeto nacional.

A metodologia da Fábrica de Startups está condensada na nossa StartupBox e organizada através de um conjunto de exercícios que as equipas vão fazendo ao longo dos bootcamps. Esta sistematização impõe ritmo e rigor no processo de criação de uma startup e assegura uma redução do risco associado ao lançamento de novos negócios.

Por outro lado, a Fábrica de Startups dispõe de um conjunto de cerca de 50 mentores, espalhados pelo país, com o objetivo de ajudar as startups. Estes mentores têm áreas de especialização diferentes, de forma a conseguirmos dar melhor resposta à diversidade de projetos que participam no Tourism Explorers.

Por último, o networking é sempre apontado como uma das mais valias do programa, pois todas as equipas, das 12 cidades estão em contacto umas com as outras, onde já assistimos a situações de parceria, fusões e trocas comerciais. Tentamos explorar também a relação com clientes finais, líderes da indústria e investidores.

O Tourism Explorers tem também uma componente de competição e, por isso, atribuímos um incentivo de 10.000€ à equipa vencedora a nível nacional. No entanto, garantimos que as equipas vencedoras em cada uma das cidades, recebe também um incentivo, que podem assumir incubação gratuita, incentivos monetários em parceria com as Câmaras Municipais ou horas de consultoria gratuitas.

Quais serão os desafios e oportunidades do turismo em Portugal?
Eu sou um otimista por natureza, mas temos de ser realistas e perceber que os tempos que se aproximam vão ser muito complicados do ponto de vista económico. O que significa que precisamos encontrar cada vez mais empreendedores que possam gerar riqueza.
Encontrar emprego nos tempos que se aproximam não será fácil e os números de desemprego demonstram esta realidade. Por isso estamos conscientes que vamos ter de ajudar as pessoas a criar o seu próprio emprego. E isso é o que nos motiva na Fábrica de Startups.

No curto prazo vamos ter um gap porque há muitos projetos que não vão sobreviver à pandemia, mas por isso mesmo, vamos ter de incentivar o empreendedorismo, numa área que é fundamental para o sucesso do país. O Turismo foi uma das áreas mais castigadas, mas também um das áreas que continua com enorme potencial.  Os ativos do turismo continuam cá todos: as pessoas, os monumentos, o clima extraordinário, a cultura e as histórias. Na realidade “só” faltam os turistas que, neste momento, não conseguem viajar de um país para o outro. Mas eles vão voltar, mais tarde ou mais cedo. Por isso, continuamos com a necessidade de ensinar e ajudar as pessoas que querem criar os seus negócios empreendedores.

Essa é precisamente a missão do Tourism Explorers ao envolver 12 cidades e mais de 500 empreendedores, ajudar a fomentar inovação e o empreendedorismo por todo o território nacional. A Fábrica de Startups faz uma grande aposta ao levar o empreendedorismo até ao interior do país através deste programa de criação e aceleração de novos negócios.

Este ano estaremos nas cidades de Aveiro, Beja, Caldas da Rainha, Coimbra, Covilhã, Évora, Faro, Lisboa, Porto, São Miguel (Ponta Delgada), Setúbal e Viseu.