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Os oceanos do mundo estão a afogar-se em plástico. Mil milhões de toneladas de plástico foram produzidas nas últimas décadas. Os alertas têm sido constantes. As quantidades de plástico nos oceanos têm afetado seriamente várias espécies marinhas e prevê-se que em 2050 a quantidade de lixo seja superior ao número de peixes. Face a esta situação muitas tem sido as mudanças de hábitos no quotidiano das populações o que tem levado à necessidade de criação de novos produtos, mais sustentáveis e ecológicos. São muitas as startups que tem surgido nos últimos anos que se tem dedicado a este trabalho.

Os primeiros plásticos sintéticos foram desenvolvidos no início do século XX, e registaram um desenvolvimento acelerado a partir de 1920. Este material relativamente novo comparado com outros como o vidro e o papel, passou a estar presente em grande parte dos nossos utensílios.
Para se produzir plástico, é necessário que haja petróleo em todo o processo de refinamento. Os impactos das refinarias vão desde as consequências dos estudos sísmicos realizados na etapa de exploração até ao consumo de grandes quantidades de água e de energia que geram absurdas quantidades de descargas de líquidos, libertação de diversos gases nocivos para a atmosfera, produção de resíduos sólidos de difícil tratamento, além dos frequentes escoamentos de petróleo para ambiente marinho.

A SAR – “Seas At Risk”* publicou um novo estudo que fornece factos condenáveis sobre as quantidades de plástico descartável que é utilizado na vida quotidiana dos europeus e que contribui significativamente para a poluição dos oceanos. Tanto na Europa como em Portugal são consumidos
anualmente milhões de garrafas de plástico, milhões de copos de café, milhares de milhões de palhinhas, milhões de embalagens de fast food e milhões de beatas de cigarro.

Face a esta realidade várias tem sido as oportunidades de negócio, sobretudo no que diz respeito à realização de novos produtos substitutos do plástico e por consequência o surgimento de novas startups em Portugal e um pouco por todo o mundo.

Palhinhas que se podem comer feitas em amido de milho e batata, aço, bambu, vidro, inox ou trigo. Palhetas feitas de microalgas de água doce, consideradas um superalimento de alto valor nutritivo, substituto das palhetas de plástico utilizadas para mexer o café. Gotas de água comestíveis, dispensam o uso da garrafa de água de plástico, são biodegradáveis em quatro a seis semanas, tal como um pedaço de fruta, e têm um prazo de validade de alguns dias. Cápsulas de champô solúveis em água, de uso único, em embalagens feitas de plásticos vegetais biodegradáveis, derivados de cana-de-açúcar, evitando as embalagens características dos shampos de plástico. Óleos de corpo vendidos a granel, em frascos de vidro. Sacos de algodão biológico para conservar os legumes no frigorífico. Marmitas de aço inoxidável. Piaçaba com cabo de madeira de faia não tratada, num suporte de barro, e escova de fibras de agave. Escovas de dentes feitas de bambu. Calçado e vestuário fabricado sem plástico não reciclado. Estes são alguns exemplos de novos produtos lançados por algumas startups que apostam na sustentabilidade.

Estamos a caminhar para um planeta mais ecológico, livre de plástico poluente mas não basta que surjam os novos negócios as startups ecológicas e sustentáveis para que o paradigma mude. É necessário que cada um de nós faça também a sua parte, pois cada um de nós tem o poder para fazer a diferença. Cabe a cada um de nós contribuir para esta mudança global, pois os oceanos e a natureza agradecem.


* A Seas At Risk é uma associação europeia de várias organizações não-governamentais ambientais que trabalham na área do meio marinho e da qual fazem parte o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), a Liga Para Proteção da Natureza (LPN), a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e a Sciaena – associação de ciências marinhas e cooperação.